domingo, 8 de julho de 2007

A rede

A rede produz quantidades inesgotáveis de informação sobre quantidades inesgotáveis de assuntos. Parkour é um assunto sobre o qual pesquiso com frequência - é possível encontrar vídeos, fotos, blogues, fóruns, toda uma panóplia de plataformas onde o Parkour se manifesta. Todas elas servem como meio de comunicação entre traceurs, principiantes, meros curiosos ou cibernautas em geral. Este facto é particularmente notável se pensarmos que a rede torna-se assim, não uma forma entre outras para partilharmos este fenómeno, mas sim A forma, aquela que monopoliza todo o movimento.
A explosão do Parkour na Grã-Bretanha, por exemplo, é sistematicamente atribuída à emissão do documentário Jump London em 2003 e do conhecido anúncio de televisão que o David Belle fez para a BBC. Tanto um como outro foram colocados on-line e tornaram-se vídeos vistos quase religiosamente pelos traceurs emergentes no Reino Unido. Depois disto o fenómeno estendeu-se rapidamente pelo resto da Europa e pelo mundo, sendo os vídeos referidos, juntamente com outros mais antigos oriundos das televisões francesas, os mais vistos sobre o assunto no Youtube e noutros sites semelhantes.
Não quero de maneira nenhuma transformar esta publicação numa lição sobre a história recente do Parkour mas parece-me importante contextualizar estas ideias. Perdoem-me os leitores esta liberdade.
O fundamental, no meu entender, é a naturalidade com que podemos aceder às diferentes visões que os traceurs de todo o mundo apresentam sobre o Parkour, (nos vídeos principalmente mas também nos blogues, nos fóruns, etc.) e como podemos aprender com estas diferentes perspectivas, identificando-nos mais com umas do que com outras, naturalmente, mas aprendendo, sempre. É notável a sinergia criada à volta deste movimento - dinamiza-o, fá-lo crescer, evoluir, mas acima de tudo transporta-o livremente.
Do outro lado do espectro em relação a uma das formas mais antigas de transmitir informação, a tradição oral, surge assim um fenómeno novo a que podemos chamar tradição ciberespacial. O Parkour é, talvez, a primeira forma de expressão que, ultrapassando os limites da rede ( e de que forma o faz!), obedece a esta tradição propagando-se através dela.
Os autores deste blogue passam assim a fazer parte desta experiência extraordinária, esperando dar o seu melhor contributo.

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